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DESFRUTANDO A MATURIDADE

Envelhecer, quase sempre, está associado a efeitos indesejáveis decorrentes da passagem do tempo e raramente a um processo de amadurecimento e aquisição de sabedoria e lucidez. Geralmente quando chegamos à meia idade carregamos experiências de vida que nos trouxeram sofrimento, fizemos muitas escolhas equivocadas e este sofrimento pode trazer mais dignidade e sabedoria às nossas vidas. As decepções e as perdas, quando elaboradas, trazem força, compreensão e compaixão. Na verdade a vida após certa idade se apresenta como uma rica possibilidade de crescimento espiritual, para quem é capaz de olhar para trás e usufruir das lições que aprendeu no decorrer de sua história.

Para Jung o desenvolvimento psicológico humano divide-se em duas partes: a primeira metade e a segunda metade da vida. Na primeira metade da vida ocorre o desenvolvimento do ego rumo ao mundo externo em busca de amigos, relacionamento afetivo, casamento, família, sucesso profissional e material entre outras. É natural presumirmos que, uma vez que tenhamos encontrado a pessoa certa pra casar, ter filhos, conseguir o trabalho ideal e comprar uma casa, está tudo muito bem resolvido. Mas não é isto que acontece. Em algum momento na segunda metade de nossa vida, passamos por profundos questionamentos acerca das escolhas feitas, do que deixamos de realizar e uma insatisfação vem perturbar nosso conforto. Tudo que desejávamos quando jovens, hoje já não parece tão necessário e a vida nos convida a buscar um sentido maior e a olhar para dentro de nós. É hora de despertar e corrigir a rota. O sonho de uma felicidade sem máculas e de uma vida livre de conflitos e de lutas acabou. A finitude da vida nos obriga a pensar no rumo que demos a ela até então

Amadurecer significa saber a responsabilidade que temos na forma como nossa jornada vem se desenvolvendo. Temos uma convicção mais profunda acerca da importância de usufruir a vida de acordo com o que é importante para nós.  Devemos ser capazes de examinar nossa história e lidar com as frustrações, reconhecer os padrões de relacionamentos, trabalho, etc que criamos. Somos obrigados a reconhecer que a única pessoa presente em cada cena desse drama que chamamos vida somos nós mesmos. É necessário então considerar que temos alguma responsabilidade sobre a maneira como este drama está se desenvolvendo.  É o momento de se questionar: desejamos ser o protagonista principal desta jornada ou desempenhar apenas um pequeno papel num script de outra pessoa? A idade liberta: é hora de se preocupar menos com os outros e ganhar o direito de estar errado. Ao viver com uma visão estreita tornamo-nos inconscientemente inimigos do próprio crescimento, da própria grandeza de alma. Jung dizia que caminhamos em sapatos pequenos demais, que temos uma visão distorcida e diminuída de nós mesmos. Na medida em que envelhecemos temos que desenvolver uma capacidade maior de tolerar a ansiedade e a ambiguidade, rumo a um mundo maior, menos seguro e mais desafiador. Aceitar isso é medida da nossa maturidade.

É uma fase para nos levarmos mais a sério do que nunca e ter um contato mais íntimo com este eu interior. Para aqueles dispostos a suportar o mar revolto da transformação, a segunda metade da vida nos oferece a chance de tomar posse de si mesmo.  É fundamental para quem a está atravessando, ter paciência e compaixão para consigo, procurando aproveitar a grande oportunidade que lhe está sendo oferecida de seguir um novo rumo, uma trajetória mais emocionante, plena de sentido e novas possibilidades.

 

 

                                                                                                                                                                                                               Valéria Bortolucci

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